Somos gente de pouca fé

Quem já experimentou ou tem experimentado estar como na barca com Jesus que dorme?

Ontem à noite, estando eu e minha esposa em oração para dormirmos, ela rezou nesse sentido: “ó Senhor, desperta, Tu que dormes, pois somos pessoas fracas na fé e precisamos de Tua misericordiosa ajuda”.

Apesar de procurarmos participar diariamente do Sacramento da Eucaristia, apesar de buscarmos na oração a alegria de nossa alma, somos ainda, eu e minha esposa, fracos na fé, pois esmorecemos diante das dificuldades do cotidiano.

Parece-nos que estamos em uma frágil barca em meio a uma tempestade (ref.: Lc 8, 22-25) como estiveram os apóstolos e Jesus. Por que depois de tamanhas graças alcançadas, depois de vivenciarmos o amor e a misericórdia de Deus em nossas vidas, ainda duvidamos das palavras de Jesus quando diz: “Não tenhais medo!”? Qual parte da frase “Eu estou e estarei convosco sempre” não entendemos?

Perdão, Senhor, por nossa fé tão tíbia. Tu já provaste teu amor por nós. Já revelaste tua graça em nossas vidas. Somos pessoas que conhecem Tua Palavra e a amamos. Queremos viver nossas vidas pautados nela. No entanto, vacilamos e murmuramos porque nos falta fé diante das dificuldades.

Senhor, Tu sabes tudo. Tu sabes que nós te amamos. Sabes também nossas limitações. Corrige-nos e ensina-nos. Queremos estar contigo sempre. Queremos viver na tua presença. Somos felizes ao teu lado. E nada existe e importa longe de Ti.

Aumenta nossa fé, é o que te pedimos hoje. E faz da nossa vida um verdadeiro testemunho da tua graça e presença.

Os quatro rios de virtudes

Comentário ao Evangelho do dia (Mt 11, 28-30) feito por :

Beato Jan van Ruusbroec (1293-1381), cônego regular
Os Sete Degraus da escada do amor espiritual, cap. 4

«Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim»

Pela humildade, vivemos com Deus e Deus vive conosco numa paz verdadeira; nela se encontra o fundamento vivo de toda a santidade. Podemos compará-la com uma fonte de onde jorram quatro rios de virtudes e de vida eterna (cf Gn 2,10). [...] O primeiro rio que jorra do solo verdadeiramente humilde é a obediência [...]; o ouvido torna-se humildemente atento, a fim de ouvir as palavras de verdade e de vida que provêm da sabedoria de Deus, e as mãos estão sempre prontas a cumprir a Sua muito cara vontade. [...] Cristo, Sabedoria de Deus, fez-Se pobre para nos tornar ricos (2Cor 8,9), tornou-Se servo para nos fazer reinar, e por fim morreu para nos dar a vida. [...] Para que saibamos segui-l’O e servi-l’O, disse-nos: «Aprendei de Mim porque sou manso e humilde de coração».

Com efeito, a mansidão é o segundo rio de virtudes que jorra do solo da humildade. «Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra» (Mt 5,5), ou seja a sua alma e o seu corpo, em paz. Porque no homem manso e humilde repousa o Espírito do Senhor; e, quando o nosso espírito é assim elevado e unido ao Espírito de Deus, carregamos o jugo de Cristo, que é suave e doce, e transportamos o Seu fardo leve. [...] Desta doçura íntima jorra um terceiro rio, que consiste em viver com paciência. Pela angústia e pelo sofrimento, o Senhor visita-nos. Se recebermos estes enviados com alegria no coração, então Ele mesmo virá, pois disse através do Seu profeta: «Quando sentir angústia estarei ao seu lado, para o salvar e o honrar» (Sl 90,15). [...]

O quarto e último rio de vida humilde é o abandono da vontade própria e de toda a busca pessoal. Este rio tem a sua origem no sofrimento suportado com paciência. O homem humilde [...] renuncia à sua própria vontade e abandona-se espontaneamente nas mãos de Deus. Torna-se assim uma só vontade e uma só liberdade com a vontade divina. [...] E este é o próprio cerne da humildade. [...] A vontade de Deus, que é a própria liberdade, liberta-nos o espírito de temor e torna-nos livres, libertos e despojados de nós mesmos. [...] Deus dá-nos então o Espírito dos eleitos, que nos faz exclamar com o Filho: «Abba, isto é, Pai» (Rm 8,15).

É bom estarmos juntos nessa mesa do Senhor

Comentário ao Evangelho (Mt 11, 25-30) do dia feito por :

São Siluane Atonita (1866-1938), monge ortodoxo, santo das Igrejas Ortodoxas
Escritos

«Vinde a Mim, todos»

Se os homens soubessem o que é o amor do Senhor, acorreriam a Cristo em multidão, e todos seriam reconfortados com a Sua graça: a Sua misericórdia é inexprimível.

O Senhor ama o pecador arrependido e aperta-o contra o peito com ternura : «Meu filho, onde estavas ? Há muito que te espero.» O Senhor chama a Si todos os homens com a voz do Evangelho,   e essa  voz ressoa pelo mundo inteiro  «Vinde a Mim, todos vós que sofreis, e encontrareis descanso; vinde e bebei da água viva, vinde e compreendei que vos amo; se não vos amasse, não vos chamaria; mas não posso tolerar que uma só das Minhas ovelhas se perca; mesmo por uma só, o Pastor vai de montanha em montanha procurá-la por todo o lado; vinde a mim, ovelhinhas, fui Eu quem vos criei, Eu amo-vos. Foi o Meu amor por vós que Me fez descer à terra e foi pela vossa salvação que tudo suportei. Oxalá conhecêsseis o Meu amor e pudésseis dizer como os Apóstolos no Tabor: «Senhor, é bom estarmos aqui» (Mt 17,4)».

Assim nos chama o Senhor, sem parar. «Vinde a Mim e encontrareis descanso…», Ele que nos alimenta com o Seu corpo puríssimo e com o Seu sangue, Ele que, cheio de bondade, nos educa pela Sua palavra e pelo Espírito Santo, Ele que nos revelou os Mistérios e vive em nós e nos sacramentos da Igreja, Ele que nos conduzirá aonde veremos a Sua glória.

A fé remove montanhas

Sempre ouvi esse ditado. Sempre acreditei nele.

Não que eu quisesse ou precisasse prová-lo ipsis literis, pois montanhas estão à nossa frente todos os dias e precisamos contorná-las. Elas, em sua maioria, são metafóricas.

Hoje, em minha oração pessoal, fazendo a Lectio Divina (Gn 22, 1-19), deparei-me com a experiência de Abraão e o sacrifício de seu único e amado filho Isaac.

Deve ter sido realmente desesperador para ele subir aquele monte, sem saber o que fazer senão obedecer ao Deus Altíssimo que lhe pedira o sacrifício de seu menino, filho de sua velhice.

Durante tantos anos ele sonhou com aquela criança em seus braços, esperou em Deus, confiou na promessa e viu a realização milagrosa, confirmando como Deus é fiel, e, de repente, esse mesmo Deus, paradoxalmente, pede-lhe que acabe com a vida de sua alegria.

“Amar-te mais que a mim mesmo. Amar-te mais que tudo que há aqui. Amar-te mais que aos mais queridos. Amar-te e dar a vida só por Ti”.

Ah, Senhor, não provas a nós mesmos como se não soubesses que vamos ou não obedecer-te. Prova-nos para ensinar-nos como amar-te mais que tudo. Prova-nos para que aprendamos que só em Ti repousa nossa alegria e nossa vida plena.

Senhor, eu quero ser provado também. Não que eu pretenda achar que passarei incólume no teste. Conto com tua bondade e misericórdia.

Peço-te que me proves, pois quero estar perto de Ti e receber tua graça, experimentar tua força me amparando, teu cuidado. Prova-me e preserva-me. Pois sem Ti nada sou. Nem capaz de resistir às tentações.

Senhor amado, eu confio em Ti. Eu espero em Ti. Eu te quero. E muito.

Quer ser santo? Põe teus pés a caminho e a mão no arado

Comentário ao Evangelho do dia (Mt 7, 15-20) feito por :

São Vicente de Paulo (1581-1660), presbítero, fundador de comunidades religiosas
Exercícios Espirituais aos Missionários, fragmento 171

«Dar bons frutos»

Amemos a Deus, irmãos, sim, mas à custa dos nossos braços e do suor do nosso rosto. Com efeito, os atos de amor a Deus, de bondade, de benevolência, e de outros afectos parecidos, e as práticas interiores do coração sensível são, embora bons e desejáveis, inúmeras vezes assaz suspeitos por não chegarem a ser prova dum amor real. «Nisto, diz Nosso Senhor, se manifesta a glória de Meu Pai: em que deis muito fruto» (Jo 15,8).

É em relação a isso que devemos redobrar a nossa atenção, porque muitos há que, tendo o seu exterior bem cuidado e o seu interior cheio de nobres sentimentos de Deus, ficam por aí; frente aos fatos ou chamados a agir perante as ocasiões, perdem o fôlego. Orgulham-se da sua imaginação fecunda, contentam-se com os doces diálogos que mantêm com Deus na oração e falam até deles como se fossem anjos; mas, saindo daí, quando se trata de trabalhar por Deus, de sofrer, de mortificar-se, de ensinar os indigentes, de ir à procura da ovelha perdida (Lc 15,4), de gostar que lhes falte alguma coisa, de aceitar a doença ou outra desgraça qualquer, pronto! não fica ninguém, foge-lhes a coragem. Não, irmãos, não tenhamos ilusões: toda a nossa missão consiste em passar aos atos.

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Esta reflexão me lembra a música “Arengação” da Banda Êxodus que diz: “Todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer ir varrer a igreja”.

Arengação

Banda Exodus

Composição: Sandro Andrade

Eu sou católico, apostólico, romano.
Há muito tempo pratico a religião.
A minha Igreja exige fé e compromisso,
Ser fiel a tudo isso sempre foi minha intenção.

Mas, como eu, tem muita gente que se esquece
De vez em quando da sua obrigação.
Um só quer reza, o outro só quer trabalhar,
Como pudessem separar o serviço da oração.

Enquanto houver divisão ou parte contrária
A vida comunitária vai ser essa arengação.

Tem que varrer a igreja, mas ninguém quer.
Tem que pintar o muro, mas ninguém quer.
Tem que tocar o sino, mas ninguém quer.
Entrar no paraíso todo mundo quer.
Tem que dobrar o joelho, mas ninguém quer.
Tem que fazer novena, mas ninguém quer.
Jejum e abstinência, mas ninguém quer.
Entrar no paraíso todo mundo quer.

A fé sem obras, já dizia São Tiago,
É uma fé morta, quase sem nenhum valor.
Assim, em meio a defeitos e virtudes,
Peço ao Pai que nos ajude a vivenciar o amor.
Mas, como eu,…
Tem que ajudar o próximo, mas ninguém quer.
Tem que pagar o dízimo, mas ninguém quer.
E lutar por justiça, mas ninguém quer.
Entrar no paraíso todo mundo quer.
Tem que rezar o terço, mas ninguém quer.
E tem que ler a Bíblia, mas ninguém quer.
Tem que estar na vigília, mas ninguém quer.
Entrar no paraíso todo mundo quer.

Estreita é a porta por onde passaremos

Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 7,6.12-14) feito por :

Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo
Homilias sobre o Êxodo, nº 5, 3; SC 321

«Apertado é o caminho que conduz à vida»

Vejamos o que Deus disse a Moisés, que ordem lhe deu sobre o caminho a escolher [...]. Pensavas talvez que o caminho que Deus mostra é um caminho fácil, que não tem absolutamente nada de difícil ou de penoso; pelo contrário, trata-se de uma subida, e bem tortuosa. Porque esse caminho por onde chegamos às virtudes não é um caminho a descer, mas a subir, e é uma subida íngreme e difícil. Escuta ainda o Senhor no Evangelho: «Quão apertado é o caminho que conduz à vida!» Vês, portanto, como o Evangelho está em harmonia com a Lei. [...] Na verdade, até os cegos conseguem vê-lo claramente: um só Espírito escreveu a Lei e o Evangelho.

O caminho por onde vamos é portanto uma tortuosa subida [...]; os actos e a fé comportam muitas dificuldades, muitas tribulações. Pois são imensas as tentações e os obstáculos que se opõem àqueles que querem agir segundo Deus. Depois, na fé, encontramos muitas coisas tortuosas, muitos pontos de discussão, muitas objecções heréticas. [...] Escuta o que disse o Faraó ao ver o caminho que Moisés e os israelitas tinham tomado: «Andam perdidos na terra.» (Ex 14,3). Para o Faraó, aqueles que seguem a Deus perdem-se. É que, como dissemos, o caminho da sabedoria é tortuoso, com muitas curvas, muitos desvios. Assim, confessar que há um Deus único, e afirmar na mesma confissão que o Pai, o Filho e o Santo Espírito são um só Deus, quão tortuoso, quão difícil e inextricável parecerá aos infiéis! Acrescentar ainda que «o Senhor da glória» foi crucificado (1 Cor 2,8), e que Ele é o Filho do homem «que desceu do Céu» (Jo 3,13), quão tortuoso e difícil parecerá, também! Quem sem fé isto ouve, dirá: «Andam perdidos na terra». Mas tu, sê firme, não ponhas em dúvida uma tal fé, sabendo que Deus te mostra esse caminho da fé.

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A porta estreita a que se refere Jesus para a entrada no céu é do mesmo tamanho que a larga porta para o inferno. A diferença não está na medida da largura mas no modo como entramos no destino.

Só vamos ao inferno pelo nosso egoísmo e falta de amor. Quando não queremos nem a Deus, que é criador de todas as coisas, e não reconhecemos nele o infinito amor que tudo perdoa.

No inferno, entramos sozinhos pela porta e ela é larga para nossa passagem.

Mas no céu, essa mesma largura fica estreita pois se vamos para lá, pela misericórdia de Deus, é porque abraçamos essa misericórdia, e confiantes nela abrimos nosso coração a outras pessoas, desejando a estas que também venham a conhecer o amor salvador de Deus.

Pela porta de mesma largura passamos, mas temos ao nosso lado, muitas pessoas que amamos e que nos amam, e por essa multidão nos parece que a passagem é apertada.

Amar sem nada esperar em troca, nem mesmo explicações

Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 7, 1-5) feito por :

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
“A Simple Path” (Um simples caminho)

«Não julgueis, para não serdes julgados»

O amor não é amor se não for partilhado. Ele deve traduzir-se pela ação. Deveis amar sem nada esperardes em troca, agir só por amor e não pelos benefícios que podereis colher. Se esperais qualquer coisa em troca, não amais verdadeiramente, porque o amor verdadeiro ama sem condições nem ponderações.

Se surgir uma nova necessidade, Deus guiar-vos-á, como guiou os que entre nós servem os doentes com AIDS. Não julgamos esses doentes, cuidamos deles sem nos perguntarmos o que lhes aconteceu, nem como ficaram doentes. Creio que Deus nos transmite uma mensagem insistente a propósito da AIDS: ele quer que não vejamos outra coisa a não ser a ocasião de manifestar o nosso amor. Os doentes com AIDS talvez tenham despertado um amor muito terno em muitos daqueles que os tinham expulsado das suas vidas.

O jejum, a oração e a esmola

Comentário ao Evangelho do dia (Mt 6, 1-6;16-18) feito por :

Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona, norte de África, e Doutor da Igreja
Sermão 150, 6

O jejum, a oração e a esmola

Os epicuristas, que não esperam vida alguma depois da morte, que não esperam outra coisa senão os prazeres da carne, dizem assim: «comamos e bebamos, que amanhã morreremos» (1Cor 15,32). Mas os cristãos, acreditando de verdade numa outra vida depois da morte, uma vida muito mais feliz, não digam «comamos e bebamos, que amanhã morreremos». Sem esquecer que amanhã morreremos, digam antes «jejuemos e rezemos, que amanhã morreremos», e esse jejum que aqui refiro vos sirva, em terceiro lugar, como preceito irrecusável e indescurável para assim matar a fome a quem é pobre. Se não puderdes jejuar, dai antes de comer àqueles cuja saciedade vos alcançará misericórdia, e digam então os cristãos: «jejuemos, rezemos e demos aos pobres, que amanhã morreremos».

Mas exijo ainda outra coisa, uma terceira condição, pois não quero silenciar aquilo que é necessário observar acima de tudo: que o vosso jejum sirva para saciar a fome do pobre. Se não podeis jejuar, aplicai-vos ainda mais a alimentar aquele cuja fome apaziguada vos obterá o perdão. Eis, pois, aquilo que os cristãos devem dizer: «jejuemos, rezemos e demos aos pobres, que amanhã morreremos».

Amar é perdoar e doar-se

Comentário ao Evangelho do dia (Mt 5, 43-48) feito por :

São Francisco de Assis (1182-1226), fundador dos Irmãos menores
Primeira Regra, §22

«Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos»

Nós, todos os irmãos, acatamos atentamente o que diz o Senhor: «Amai os vossos inimigos, fazei o bem a quem vos odeia». Nosso Senhor Jesus Cristo, cujos passos devemos seguir (1Pe 2,21), deu o nome de amigo a quem O traía (Mt 26,50), e ofereceu-Se voluntariamente aos que O iam crucificar. Por conseguinte são nossos amigos todos aqueles que nos infligem injustamente adversidades e angústias, afrontas e ofensas, dores e tormentos, o martírio e a morte. Devemos amá-los muito, porque os ferimentos que nos causam proporcionar-nos-ão a vida eterna.

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E amar, amigo ou inimigo, é doar-se; é perder-se pelo outro; sacrificar-se como mãe pelo seu filho que abre mão de si mesma para que seu filho cresça e seja feliz.

Somos todos chamados a esse amor, condicionalmente.

Em II Cor 8, 1-9, São Paulo observa como os coríntios se destacaram dos demais povos que o receberam. Estes souberam viver o espírito de amor e comunhão de verdadeiros discípulos de Cristo. Souberam partilhar de sua pobreza, sendo todos enriquecidos pela graça de Deus.

Somos chamados a viver essa comunhão. Está ao alcance de todos nós. Jesus, humilde servo que se deu totalmente, nos deu o exemplo, seguido de milhares de santos em todas as épocas.

Hoje também somos chamados a esta santidade. Partilhar, doar, amar: são verbos principais de nosso vocabulário diário.

…, tu me amas?

Comentário ao Evangelho do dia (Jo 21,15-19)  feito por :

Beato João Paulo II
Homilia em Paris 30/05/80 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

«Simão, filho de João, tu amas-Me?»

Na hora da prova, Pedro renegou o Mestre três vezes. E a voz tremia-lhe quando respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo» (Jo 21,15). Contudo, não respondeu «Todavia, Senhor, eu enganei-Te», mas: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Dizendo isto, já sabia que Cristo é a pedra angular sobre a qual, apesar de toda a fraqueza humana, pôde crescer nele, Pedro, esta construção que terá a forma do amor. Através de todas as situações e todas as provas. Até o fim. Por isso ele escreverá um dia [...]: «Vós mesmos, como pedras vivas, entrais na construção de um edifício espiritual, por meio de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais que serão agradáveis a Deus tão só por Jesus Cristo» (1 Ped 2,5).

Tudo isto significa tão só responder sempre e constantemente, com tenacidade e de maneira consequente, a esta única pergunta: Amas-Me? Tu Me amas? Tu Me amas mais? É com efeito esta resposta, quer dizer, este amor, que faz com que sejamos «raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido» (1 Ped 2,9). Ela é que faz que proclamemos as obras maravilhosas d’Aquele que nos «chamou das trevas para a Sua luz admirável» (1 Ped 2,9). Tudo isto soube-o Pedro na absoluta certeza da sua fé. E sabe tudo isto e continua a confessá-lo também nos seus sucessores.

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Resolvi dar como título a esta reflexão a expressão “…, tu me amas?”, no sentido de colocarmos nas reticências o nosso nome, indigno, a quem Jesus também se dirige para perguntar “me Amas?”.

Fazendo essa experiência, nossa oração de hoje, nossa leitura orante (lectio divina) será verdadeiramente real, pois em Simão Pedro vemos nossa humanidade que, fraca, é chamada por Deus para grandes coisas, alcançar o Alto.

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