Eu preciso partilhar de alguma forma o que vivi neste último fim de semana. Não sei quem vai ler este espaço. Não sei mesmo se alguém vai ler esta partilha. Não estou interessado em promover este meu diário virtual. Quem já o conhece, pode acessá-lo a qualquer momento, pois não habilitei recursos de impedimento. Quem não o conhece poderá nunca conhecê-lo, pois também não pretendo sair fazendo apologias sobre ele. Mas, os fatos que vou narrar aqui, isso, sim, merece propaganda… e farei isso na emissora onde trabalho.
Se eu não me engano, desde abril deste ano (2005), tenho me reunido com uma turma de jovens animados a evangelizar a cidade de Seropédica, município vizinho à cidade onde moro.
Desde essa data, temos planejado realizar um grande evento chamado Deus é Mais.
Inicialmente, nos reuníamos uma vez por mês. A partir de julho, passamos a nos reunir quinzenalmente. Em novembro, decidimos que precisávamos de reuniões semanais.
É claro que nem em todas as reuniões eu pude estar. Meus compromissos familiares ou de trabalho, ou mesmo pessoais, me afastavam de alguns desses momentos que passei a amar.
Nessas reuniões, rezávamos e planejávamos ações necessárias e eficazes para evangelizar os Seropedicenses, promover a integração das três paróquias da cidade e fortalecermos o ânimos dos católicos, que são minoria nesta cidade.
Conseguimos espaço em duas rádios comunitárias (Onda Rio FM e Caçulinha FM); demos início à construção de um site; criamos uma comunidade no orkut; promovemos um retiro de formação para ministros de música; realizamos um show musical, trazendo o Ministério Missionário Shalom de Fortaleza (Ceará) para Seropédica; conseguimos nos introduzir na festa da cidade – ExpoSeropédica – com uma noite de liturgia e música católica. E, por fim, neste último sábado, dia 26/novembro, promovemos o show Deus é Mais, com a cantora Aline Venturi, Banda Novo Viver, Ministério Haguidéni e Banda Bom Pastor.
Para que isso tudo fosse possível, contamos com muita gente. A equipe ia crescendo, à medida que as reuniões se realizavam. À medida que se aproximava a data do show, mais pessoas se interessavam e se comprometiam. Até o próprio Bispo da Diocese de Itaguaí tomou ciência de nossas ações e "vestiu a camisa" da equipe, abençoando o projeto, dando força pela divulgação, indo pessoalmente à Rádio Catedral FM – emissora oficial da Arquidiocese do Rio de Janeiro – onde trabalho, para falar sobre seus trabalhos na Diocese e sobre o evento Deus é Mais.
E tudo ia a mil maravilhas, quando de repente chega o dia.
T e m p e s t a d e.
Desde a noite anterior até a manhã do dia 26, chovia a cântaros e nada provava que a chuva ia parar.
São Pedro parecia que não era amigo da gente como proclamávamos.
Tendo eu dormido às 3 horas da madrugada, preparando material para o evento do dia seguinte, às sete horas acordei com um telefonema. Era o Jeosafa, um dos coordenadores, que já se encontrava no local do evento, dizendo que a quadra onde montaríamos o palco estava inundada, completamente inundada.
Disse ele que chamaria uma equipe da Defesa Civil, mas ele mesmo não via jeito de, naquele local, se realizar o show tão planejado, tão preparado, tão esperado.
Passado mais algum tempo e mil ligações telefônicas, diante da calamidade da chuva que não parava e que não mostrava vontade de parar, começamos a pensar na hipótese de cancelar o show.
Enquanto todas as equipes aguardavam novas ordens, principalmente a equipe de montagem de palco, estrutura de iluminação e som, nós, da coordenação, sentíamos o vazio da frustração: tantos sonhos, tantos desejos, tantas expectativas, tanta orações… e agora, chuva, muita chuva… maldita chuva. Por que resolveu cair logo neste dia? Por que não esperou um dia?
O vazio tomou conta de nosso coração e de nossa mente e a dura decisão eu tomei. VAMOS CANCELAR TUDO!
Por telefone, mandei o caminhão com a estrutura do palco, iluminação e som retornar para a garagem.
Preparando para ir à Rádio Catedral para anunciar o cancelamento do show, começo a receber telefonemas dos outros coordenadores. – "Vamos conseguir outro espaço. Vamos fazer o evento!"
- "Mas como? Como avisaremos em cima da hora a mudança de endereço? Como montaremos tudo que precisamos em tão pouco tempo?", questionava eu.
E no desespero e na loucura, resolvemos arriscar a fazer tudo mesmo que resultando em grande prejuízo. Mesmo não aparecendo ninguém por causa da chuva.
Arrasado com tudo isso, acatando o pedido dos outros coordenadores, dei nova ordem aos técnicos: "Ponham-se de novo na estrada! Vamos realizar o evento."
Paralelamente a tudo isso, eu, em casa, me desentendia com minha esposa que, preocupada comigo, não admitia eu ter que sair do conforto de nosso lar para me arriscar na estrada à caminho de Seropédica. E mais, por nosso carro, nos dias anteriores, ter apresentado problemas de mecânica.
Total frustração.
Tantas reuniões, tantos sonhos escoando pelo boeiro com as águas da chuva que insistia em não parar.
Como conceber a idéia de não ver acontecer o que foi tão esperado.
Contrariando a tudo e a todos, fiz mais algumas ligações. Providenciei carona para chegar em Seropédica.
Foi conseguido novo local para o evento. Conseguimos promover a orientação para o novo lugar.
Pela Rádio Catedral, divulguei as últimas decisões, principalmente, informei a todos que desejavam comparecer ao evento, que ele não estava cancelado como achavam que poderia estar por causa da chuva.
E, melhor, em tempo recorde conseguimos montar a estrutura de palco, som e luz.
Às 18:40h, com quarenta minutos de atraso, demos início ao show.
Aos poucos, as pessoas que compraram os ingressos antecipados começaram a chegar. Aos poucos, a quadra, que era o triplo do tamanho daquela onde antes faríamos o evento, começou a encher.
No céu, não víamos estrelas, mas a chuva resolvera parar de cair, permitindo que outras pessoas resolvessem sair de suas casas a caminho do local do show.
Nossas equipes estavam à postos.
Surpreendentemente, as pessoas que compareceram ao show começaram fazer chegar aos nossos ouvidos que tudo estava maravilhoso.
As quatro bandas que passaram pelo palco nos disseram que amaram a acolhida, o serviço de camarim, o som de primeira qualidade, o palco bem estruturado.
A platéia, por seis horas seguidas, pulou, dançou, rezou e se divertiu no evento Deus é Mais.
Ao final, cansado, muito cansado, com dores na garganta, abracei alguns da equipe, principalmente os três que comigo formavam a coordenação (Viviane Paschoal, Jeosafa Fonseca e Romildo Marinho) e, sem palavras, voltei para minha casa, onde cheguei por volta das duas e meia da madrugada.
Até agora não voltei a falar com ninguém da equipe, passei o domingo descansando e, acredito, que todos os outros fizeram o mesmo. Amanhã, segunda, farei contato. Mas qualquer coisa que eu diga não será suficiente. Meu coração está cheio de alegria.
De tudo, aprendi uma lição: esperar em Deus, que é sempre mais do que esperamos.
A chuva serviu para que mudássemos de lugar, confiássemos nele, percebéssemos que é Ele quem abre as portas, quando outras são fechadas.
Se tivéssemos feito no local original, o evento teria sido provavelmente muito ruim, porque o espaço teria sido pequeno.
Nós queríamos algo grande e bonito, sonhávamos com isso, mas não confiávamos tanto a ponto de preparar um local digno de receber uma multidão. Pois Deus providenciou com sua chuva.
"Ó Deus amado, Senhor de todas as coisas! Faze que aprendamos as tuas lições e reconheçamos o teu poder e a tua grandeza.
Que nossos atos e vontade sejam todos para a tua glória. Amém"
PS.: Meu agradecimento especial a todos da equipe Deus é Mais, em especial, a Vivi, ao Jeo, ao Romildo, Rogério, Adriana, Telma, Maximo, Max, Bruno, Fabiana, Neto, Claudio Allan, Gilson, Daniel, Vanildo, Kelly, Léo, Rita, Suellen, Liliane, João Luiz, Monica, Marcia, Cristiano, Scarlet, Dedé, Padre Gabriel, Dom Ubiratan, Padre Francisco, a galera do Eterna Salvação de Piranema, o grupo de jovens da Maria Mãe da Igreja, os jovens da Universidade Rural (GOU), as três mulheres intercessoras do grupo de oração, e tantos outros, que hoje estão no meu coração.