Conheça a casa dos avós de Jesus

Estreita é a porta por onde passaremos

Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 7,6.12-14) feito por :

Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo
Homilias sobre o Êxodo, nº 5, 3; SC 321

«Apertado é o caminho que conduz à vida»

Vejamos o que Deus disse a Moisés, que ordem lhe deu sobre o caminho a escolher [...]. Pensavas talvez que o caminho que Deus mostra é um caminho fácil, que não tem absolutamente nada de difícil ou de penoso; pelo contrário, trata-se de uma subida, e bem tortuosa. Porque esse caminho por onde chegamos às virtudes não é um caminho a descer, mas a subir, e é uma subida íngreme e difícil. Escuta ainda o Senhor no Evangelho: «Quão apertado é o caminho que conduz à vida!» Vês, portanto, como o Evangelho está em harmonia com a Lei. [...] Na verdade, até os cegos conseguem vê-lo claramente: um só Espírito escreveu a Lei e o Evangelho.

O caminho por onde vamos é portanto uma tortuosa subida [...]; os actos e a fé comportam muitas dificuldades, muitas tribulações. Pois são imensas as tentações e os obstáculos que se opõem àqueles que querem agir segundo Deus. Depois, na fé, encontramos muitas coisas tortuosas, muitos pontos de discussão, muitas objecções heréticas. [...] Escuta o que disse o Faraó ao ver o caminho que Moisés e os israelitas tinham tomado: «Andam perdidos na terra.» (Ex 14,3). Para o Faraó, aqueles que seguem a Deus perdem-se. É que, como dissemos, o caminho da sabedoria é tortuoso, com muitas curvas, muitos desvios. Assim, confessar que há um Deus único, e afirmar na mesma confissão que o Pai, o Filho e o Santo Espírito são um só Deus, quão tortuoso, quão difícil e inextricável parecerá aos infiéis! Acrescentar ainda que «o Senhor da glória» foi crucificado (1 Cor 2,8), e que Ele é o Filho do homem «que desceu do Céu» (Jo 3,13), quão tortuoso e difícil parecerá, também! Quem sem fé isto ouve, dirá: «Andam perdidos na terra». Mas tu, sê firme, não ponhas em dúvida uma tal fé, sabendo que Deus te mostra esse caminho da fé.

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A porta estreita a que se refere Jesus para a entrada no céu é do mesmo tamanho que a larga porta para o inferno. A diferença não está na medida da largura mas no modo como entramos no destino.

Só vamos ao inferno pelo nosso egoísmo e falta de amor. Quando não queremos nem a Deus, que é criador de todas as coisas, e não reconhecemos nele o infinito amor que tudo perdoa.

No inferno, entramos sozinhos pela porta e ela é larga para nossa passagem.

Mas no céu, essa mesma largura fica estreita pois se vamos para lá, pela misericórdia de Deus, é porque abraçamos essa misericórdia, e confiantes nela abrimos nosso coração a outras pessoas, desejando a estas que também venham a conhecer o amor salvador de Deus.

Pela porta de mesma largura passamos, mas temos ao nosso lado, muitas pessoas que amamos e que nos amam, e por essa multidão nos parece que a passagem é apertada.

Amar é perdoar e doar-se

Comentário ao Evangelho do dia (Mt 5, 43-48) feito por :

São Francisco de Assis (1182-1226), fundador dos Irmãos menores
Primeira Regra, §22

«Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos»

Nós, todos os irmãos, acatamos atentamente o que diz o Senhor: «Amai os vossos inimigos, fazei o bem a quem vos odeia». Nosso Senhor Jesus Cristo, cujos passos devemos seguir (1Pe 2,21), deu o nome de amigo a quem O traía (Mt 26,50), e ofereceu-Se voluntariamente aos que O iam crucificar. Por conseguinte são nossos amigos todos aqueles que nos infligem injustamente adversidades e angústias, afrontas e ofensas, dores e tormentos, o martírio e a morte. Devemos amá-los muito, porque os ferimentos que nos causam proporcionar-nos-ão a vida eterna.

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E amar, amigo ou inimigo, é doar-se; é perder-se pelo outro; sacrificar-se como mãe pelo seu filho que abre mão de si mesma para que seu filho cresça e seja feliz.

Somos todos chamados a esse amor, condicionalmente.

Em II Cor 8, 1-9, São Paulo observa como os coríntios se destacaram dos demais povos que o receberam. Estes souberam viver o espírito de amor e comunhão de verdadeiros discípulos de Cristo. Souberam partilhar de sua pobreza, sendo todos enriquecidos pela graça de Deus.

Somos chamados a viver essa comunhão. Está ao alcance de todos nós. Jesus, humilde servo que se deu totalmente, nos deu o exemplo, seguido de milhares de santos em todas as épocas.

Hoje também somos chamados a esta santidade. Partilhar, doar, amar: são verbos principais de nosso vocabulário diário.

…, tu me amas?

Comentário ao Evangelho do dia (Jo 21,15-19)  feito por :

Beato João Paulo II
Homilia em Paris 30/05/80 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

«Simão, filho de João, tu amas-Me?»

Na hora da prova, Pedro renegou o Mestre três vezes. E a voz tremia-lhe quando respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo» (Jo 21,15). Contudo, não respondeu «Todavia, Senhor, eu enganei-Te», mas: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Dizendo isto, já sabia que Cristo é a pedra angular sobre a qual, apesar de toda a fraqueza humana, pôde crescer nele, Pedro, esta construção que terá a forma do amor. Através de todas as situações e todas as provas. Até o fim. Por isso ele escreverá um dia [...]: «Vós mesmos, como pedras vivas, entrais na construção de um edifício espiritual, por meio de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais que serão agradáveis a Deus tão só por Jesus Cristo» (1 Ped 2,5).

Tudo isto significa tão só responder sempre e constantemente, com tenacidade e de maneira consequente, a esta única pergunta: Amas-Me? Tu Me amas? Tu Me amas mais? É com efeito esta resposta, quer dizer, este amor, que faz com que sejamos «raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido» (1 Ped 2,9). Ela é que faz que proclamemos as obras maravilhosas d’Aquele que nos «chamou das trevas para a Sua luz admirável» (1 Ped 2,9). Tudo isto soube-o Pedro na absoluta certeza da sua fé. E sabe tudo isto e continua a confessá-lo também nos seus sucessores.

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Resolvi dar como título a esta reflexão a expressão “…, tu me amas?”, no sentido de colocarmos nas reticências o nosso nome, indigno, a quem Jesus também se dirige para perguntar “me Amas?”.

Fazendo essa experiência, nossa oração de hoje, nossa leitura orante (lectio divina) será verdadeiramente real, pois em Simão Pedro vemos nossa humanidade que, fraca, é chamada por Deus para grandes coisas, alcançar o Alto.

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