Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida

«Agora, ó reis, compreendeis isto, instruí-vos, ó juízes da terra.
Servi ao Senhor com respeito e exultai em sua presença;
Prestai-lhe homenagem com tremor».
(Salmo 2, 10-11)

Somos todos reis de nossa vida, pois a nós foi dado por Deus, em sua bondade e sabedoria, o livre arbítrio.
Escolhemos o caminho a trilhar e o rei a seguir e a servir.
A nós foi dado conhecer um Rei, que está acima de todos os reis. Este é Jesus Cristo, Nosso Salvador.
Dele, o próprio Deus Pai, Todo-Poderoso, proclamou: “Tu és meu filho, eu hoje te gerei” (Sal 2,7).
A Ele somos convidados a render todas as homenagens, glorificando-O, pois de sua paixão e morte veio a nós a vida eterna.
Somos reis de nossa vida, mas não salvamos a nós mesmos, nem conquistamos a vida eterna por nossos méritos. Somos reis pela escolha que fazemos de crer, amar e servir àquele que é verdadeiramente Rei.
Somos reis por perceber a quem devemos seguir, sendo Jesus, como Ele próprio nos disse: o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Ele.

Se nosso coração clama “mostra-nos o Pai e isso nos basta”, que reconheçamos em Jesus a revelação perfeita do Pai, e nos rendamos aos seus pés.

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São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja
Itinerário da mente para Deus, VII, 1-2, 4, 6

«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida»

Aquele que volta propositada e completamente os olhos para Cristo ao vê-Lo pregado na cruz, com fé, esperança e caridade, devoção, admiração, regozijo, reconhecimento, elogio e júbilo, esse celebra a Páscoa com Ele, ou seja, põe-se a caminho para atravessar o Mar Vermelho graças à bengala da cruz (cf Ex 14,16). Ao deixar o Egipto, entra no deserto para aí provar o «maná escondido» (Ap 2,17) e repousar com Cristo no túmulo, exteriormente como morto, mas experimentando – na medida em que os seus progressos lho permitem – o que foi dito na cruz ao malfeitor companheiro de Cristo: «Hoje mesmo estarás coMigo no Paraíso» (Lc 23,43). [...]

Nesta travessia, se queremos ser perfeitos, importa abandonar toda a especulação intelectual. Qualquer ponta de desejo deve ser transportada e transformada em Deus. Eis o segredo dos segredos, que «ninguém conhece excepto aquele que o recebe» (Ap 2,17). [...] Se procuras saber como é que isto se produz, interroga a graça e não o saber, a tua aspiração profunda e não o teu intelecto, o gemido da tua prece e não a tua paixão pela leitura. Interroga o Esposo e não o professor, Deus e não o homem.

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