Somos gente de pouca fé

Quem já experimentou ou tem experimentado estar como na barca com Jesus que dorme?

Ontem à noite, estando eu e minha esposa em oração para dormirmos, ela rezou nesse sentido: “ó Senhor, desperta, Tu que dormes, pois somos pessoas fracas na fé e precisamos de Tua misericordiosa ajuda”.

Apesar de procurarmos participar diariamente do Sacramento da Eucaristia, apesar de buscarmos na oração a alegria de nossa alma, somos ainda, eu e minha esposa, fracos na fé, pois esmorecemos diante das dificuldades do cotidiano.

Parece-nos que estamos em uma frágil barca em meio a uma tempestade (ref.: Lc 8, 22-25) como estiveram os apóstolos e Jesus. Por que depois de tamanhas graças alcançadas, depois de vivenciarmos o amor e a misericórdia de Deus em nossas vidas, ainda duvidamos das palavras de Jesus quando diz: “Não tenhais medo!”? Qual parte da frase “Eu estou e estarei convosco sempre” não entendemos?

Perdão, Senhor, por nossa fé tão tíbia. Tu já provaste teu amor por nós. Já revelaste tua graça em nossas vidas. Somos pessoas que conhecem Tua Palavra e a amamos. Queremos viver nossas vidas pautados nela. No entanto, vacilamos e murmuramos porque nos falta fé diante das dificuldades.

Senhor, Tu sabes tudo. Tu sabes que nós te amamos. Sabes também nossas limitações. Corrige-nos e ensina-nos. Queremos estar contigo sempre. Queremos viver na tua presença. Somos felizes ao teu lado. E nada existe e importa longe de Ti.

Aumenta nossa fé, é o que te pedimos hoje. E faz da nossa vida um verdadeiro testemunho da tua graça e presença.

Conheça a casa dos avós de Jesus

São João do Deserto

 

Notícias da Terra Santa

“Hoje celebramos a importância da Basílica do Santo Sepulcro, como o centro do mundo e da vida, porque precisamente da morte de Cristo no Calvário e da ressurreição do Sepulcro Vazio veio a vida”. Com estas palavras Padre Artemio Vitores, Vigário da Custódia da Terra Santa, iniciou sua homilia diante da edícula do Santo Sepulcro de Jerusalém, na solenidade da Dedicação da Basílica, sexta-feira, 15 de julho. No 50 º aniversário da conquista de Jerusalém, os cruzados comemoraram o evento inaugurando a nova basílica, completamente restaurada: era 15 de julho de 1149. O bispo Fulcherio fez esculpir uma inscrição latina na porta para futura memória: “Este santo lugar – estava escrito -, foi santificado pelo sangue de Cristo, por isso a nossa consagração não acrescenta nada à sua santidade”.

P. ARTEMIO VITORES VIGÁRIO CUSTÓDIA TERRA SANTA

Daqui partiram todas as estradas do mundo, as estradas das catedrais, as estradas das pregações, as estradas das missões, pois “a missão” é essa: Vão por todo o mundo e anunciem o que vocês viram e ouviram. O que você viu? Que Jesus não está aqui, ressuscitou, vão e anunciem. Este é o significado fundamental.

Participaram da liturgia vários sacerdotes, religiosos e peregrinos. O altar para a ocasião foi preparado no vestíbulo da edícula do Sepulcro, a chamada “Capela do Anjo”, onde com P. Artemio estiveram presentes os concelebrantes principais. A celebração de hoje, tão ligada à presença dos cruzados, nos lembra que a mesma permitiu por mais de um século aos peregrinos cristãos retornarem com segurança para visitar os lugares santos. Ainda hoje, os peregrinos podem ir a Jerusalém com toda segurança: aqui, os acontecimentos da primavera árabe não tiveram qualquer tipo de influência e de desordem social e depois de algumas semanas, com um número de presenças inferior à norma, agora grupos de fiéis voltam a invadir as ruas da Cidade Santa.

O jejum, a oração e a esmola

Comentário ao Evangelho do dia (Mt 6, 1-6;16-18) feito por :

Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona, norte de África, e Doutor da Igreja
Sermão 150, 6

O jejum, a oração e a esmola

Os epicuristas, que não esperam vida alguma depois da morte, que não esperam outra coisa senão os prazeres da carne, dizem assim: «comamos e bebamos, que amanhã morreremos» (1Cor 15,32). Mas os cristãos, acreditando de verdade numa outra vida depois da morte, uma vida muito mais feliz, não digam «comamos e bebamos, que amanhã morreremos». Sem esquecer que amanhã morreremos, digam antes «jejuemos e rezemos, que amanhã morreremos», e esse jejum que aqui refiro vos sirva, em terceiro lugar, como preceito irrecusável e indescurável para assim matar a fome a quem é pobre. Se não puderdes jejuar, dai antes de comer àqueles cuja saciedade vos alcançará misericórdia, e digam então os cristãos: «jejuemos, rezemos e demos aos pobres, que amanhã morreremos».

Mas exijo ainda outra coisa, uma terceira condição, pois não quero silenciar aquilo que é necessário observar acima de tudo: que o vosso jejum sirva para saciar a fome do pobre. Se não podeis jejuar, aplicai-vos ainda mais a alimentar aquele cuja fome apaziguada vos obterá o perdão. Eis, pois, aquilo que os cristãos devem dizer: «jejuemos, rezemos e demos aos pobres, que amanhã morreremos».

…, tu me amas?

Comentário ao Evangelho do dia (Jo 21,15-19)  feito por :

Beato João Paulo II
Homilia em Paris 30/05/80 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

«Simão, filho de João, tu amas-Me?»

Na hora da prova, Pedro renegou o Mestre três vezes. E a voz tremia-lhe quando respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo» (Jo 21,15). Contudo, não respondeu «Todavia, Senhor, eu enganei-Te», mas: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Dizendo isto, já sabia que Cristo é a pedra angular sobre a qual, apesar de toda a fraqueza humana, pôde crescer nele, Pedro, esta construção que terá a forma do amor. Através de todas as situações e todas as provas. Até o fim. Por isso ele escreverá um dia [...]: «Vós mesmos, como pedras vivas, entrais na construção de um edifício espiritual, por meio de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais que serão agradáveis a Deus tão só por Jesus Cristo» (1 Ped 2,5).

Tudo isto significa tão só responder sempre e constantemente, com tenacidade e de maneira consequente, a esta única pergunta: Amas-Me? Tu Me amas? Tu Me amas mais? É com efeito esta resposta, quer dizer, este amor, que faz com que sejamos «raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido» (1 Ped 2,9). Ela é que faz que proclamemos as obras maravilhosas d’Aquele que nos «chamou das trevas para a Sua luz admirável» (1 Ped 2,9). Tudo isto soube-o Pedro na absoluta certeza da sua fé. E sabe tudo isto e continua a confessá-lo também nos seus sucessores.

=====

Resolvi dar como título a esta reflexão a expressão “…, tu me amas?”, no sentido de colocarmos nas reticências o nosso nome, indigno, a quem Jesus também se dirige para perguntar “me Amas?”.

Fazendo essa experiência, nossa oração de hoje, nossa leitura orante (lectio divina) será verdadeiramente real, pois em Simão Pedro vemos nossa humanidade que, fraca, é chamada por Deus para grandes coisas, alcançar o Alto.

Esta é a vida eterna: que conheçam a Ti

Comentário ao Evangelho do dia (Jo 17,1-11a) feito por :

São Justino (c. 100-160), filósofo e mártir
Diálogo com Trifão, 2-4,7-8; PG 6, 478-482,491

«Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro»

A minha alma estava impaciente por aprender aquilo que é o princípio e a essência da filosofia. [...] A inteligência das coisas incorpóreas cativava-me inteiramente; a contemplação das ideias dava asas ao meu pensamento. Imaginei-me sábio em pouco tempo e até fui suficientemente tolo para esperar ver a Deus de imediato, pois tal é o objetivo da filosofia de Platão. Nesse estado de espírito, [...] dirigi-me a um sítio isolado junto ao mar, onde esperava ficar só, quando um velhinho começou a seguir-me. [...]

─ O que te trouxe aqui? ─ perguntou-me.
─ Gosto deste gênero de caminhadas [...], são muito favoráveis à meditação filosófica. [...]
─ A filosofia traz, portanto, a felicidade? ─ quis ele saber.
─ Certamente ─ respondi ─, e apenas ela. [...]
─ Então a que é que tu chamas Deus?
─ Deus é Aquele que é sempre idêntico a Si próprio e dá o ser a tudo o resto.
─ E como é que os filósofos podem ter uma ideia concreta de Deus, se não O conhecem, visto que nunca O viram, nem escutaram?
─ Mas ─ respondi ─, a divindade não é visível aos nossos olhos como o são os outros seres; não é acessível senão à inteligência, como diz Platão; e eu concordo com ele. [...]

─ Houve, já há muito tempo ─ disse o velho ─, homens anteriores a todos esses pretensos filósofos, homens felizes, justos e amigos de Deus. Falavam inspirados pelo Espírito de Deus e prediziam um futuro agora realizado: chamamos-lhes profetas. Só eles viram a verdade e a anunciaram aos homens. [...] Os que os lêem podem, se tiverem fé neles, tirar grande proveito dessa leitura. [...] Eles eram testemunhas fiéis da verdade. [...] Glorificaram o criador do universo, Deus e Pai, e anunciaram Aquele que Ele enviou, Cristo, Seu Filho. [...] E tu, antes de mais, reza para que as portas da luz te sejam abertas, pois ninguém pode ver nem entender, se Deus ou o Seu Cristo não lhe derem o dom de compreender. [...]

Nunca mais o vi mas, subitamente, acendeu-se um fogo na minha alma; fiquei cheio de amor pelos profetas, por esses homens que são amigos de Cristo. Refletindo nas palavras do ancião, reconheci que essa era a única filosofia segura e proveitosa.

A tristeza que gera alegria

Comentário ao Evangelho do dia (Jo 16, 16-20) feito por :

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilia 79 sobre São João

A tristeza que gera a alegria

Depois de ter derramado a alegria na alma dos Seus discípulos pela promessa que lhes fez de lhes enviar o Espírito Santo, o Salvador entristece-os de novo ao dizer: «Ainda um pouco, e deixareis de Me ver». Age desta forma para os preparar, através desta linguagem triste e severa, para a ideia da Sua próxima separação; porque nada é mais próprio para acalmar a alma mergulhada na tristeza e na aflição, do que o pensamento frequente dos motivos que produziram nela essa tristeza.

Eles não compreendiam, quer por causa da tristeza que os impedia de pensar no que Ele lhes dizia, quer por causa da obscuridade das próprias palavras, que pareciam conter duas coisas contraditórias, mas que, na realidade não o eram. Pois se Te vemos, podiam eles dizer, como Te vais embora? E, se Te vais embora, como Te poderemos ver?

Nosso Senhor, querendo depois mostrar-lhes que a tristeza gera alegria e, ainda, que aquela tristeza seria curta ao passo que a sua alegria não terá fim, toma a comparação da mulher que dá à luz. Com tal comparação, Ele quer também exprimir, de um modo figurado, que Se libertou dos constrangimentos da morte e que, assim, regenerou o homem novo. E não diz que não haverá tribulação mas que não Se lembrarão dela, tão grande vai ser a alegria que lhe sucederá.

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida

«Agora, ó reis, compreendeis isto, instruí-vos, ó juízes da terra.
Servi ao Senhor com respeito e exultai em sua presença;
Prestai-lhe homenagem com tremor».
(Salmo 2, 10-11)

Somos todos reis de nossa vida, pois a nós foi dado por Deus, em sua bondade e sabedoria, o livre arbítrio.
Escolhemos o caminho a trilhar e o rei a seguir e a servir.
A nós foi dado conhecer um Rei, que está acima de todos os reis. Este é Jesus Cristo, Nosso Salvador.
Dele, o próprio Deus Pai, Todo-Poderoso, proclamou: “Tu és meu filho, eu hoje te gerei” (Sal 2,7).
A Ele somos convidados a render todas as homenagens, glorificando-O, pois de sua paixão e morte veio a nós a vida eterna.
Somos reis de nossa vida, mas não salvamos a nós mesmos, nem conquistamos a vida eterna por nossos méritos. Somos reis pela escolha que fazemos de crer, amar e servir àquele que é verdadeiramente Rei.
Somos reis por perceber a quem devemos seguir, sendo Jesus, como Ele próprio nos disse: o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Ele.

Se nosso coração clama “mostra-nos o Pai e isso nos basta”, que reconheçamos em Jesus a revelação perfeita do Pai, e nos rendamos aos seus pés.

===============================================

São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja
Itinerário da mente para Deus, VII, 1-2, 4, 6

«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida»

Aquele que volta propositada e completamente os olhos para Cristo ao vê-Lo pregado na cruz, com fé, esperança e caridade, devoção, admiração, regozijo, reconhecimento, elogio e júbilo, esse celebra a Páscoa com Ele, ou seja, põe-se a caminho para atravessar o Mar Vermelho graças à bengala da cruz (cf Ex 14,16). Ao deixar o Egipto, entra no deserto para aí provar o «maná escondido» (Ap 2,17) e repousar com Cristo no túmulo, exteriormente como morto, mas experimentando – na medida em que os seus progressos lho permitem – o que foi dito na cruz ao malfeitor companheiro de Cristo: «Hoje mesmo estarás coMigo no Paraíso» (Lc 23,43). [...]

Nesta travessia, se queremos ser perfeitos, importa abandonar toda a especulação intelectual. Qualquer ponta de desejo deve ser transportada e transformada em Deus. Eis o segredo dos segredos, que «ninguém conhece excepto aquele que o recebe» (Ap 2,17). [...] Se procuras saber como é que isto se produz, interroga a graça e não o saber, a tua aspiração profunda e não o teu intelecto, o gemido da tua prece e não a tua paixão pela leitura. Interroga o Esposo e não o professor, Deus e não o homem.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 1.393 other followers